Buscar
  • Nelly Bodely

“Pais – homens pais

Cuidem de suas crianças Do primeiro instante que nascem Até não mais precisarem Não só troquem fralda de vez em quando, Ou brinquem ou tomem conta de vez em quando, Com aquele modo como que de quem não entende do assunto Como se mães soubessem mais só por serem mães Cuidem Com o mesmo afinco, dedicação, atenção e amor acolhedor Que mães tantas vezes cuidam Chega daquelas desculpas, blindagens, defesas ou certezas que te separam de um real interesse em aprender a cuidar É cuidando que se aprende E é a distância tua desse cuidado que te separa de ti mesmo Daquilo que te aconchega Daquilo que é teu eixo de ser, teu sentido De ser vivo E enquanto houver tua distancia, reforçada pelos estereótipos do que é ser homem ou mulher, pai ou mãe As crianças sentem tua falta, Saem dos seus próprios eixos, elas mesmas, Pulam de galho em galho, Fazem qualquer macaquice ou sucumbisse, Buscam atrair tua atenção, Agradar Com fome do teu cuidado Te dão valor pela falta. Ou, acostumadas, mais cedo ou mais tarde, te excluem - Não tem como tanto querer aquilo que nunca se conheceu Crescem sem o tanto que precisam da tua presença ou afeto Mas é tua a exclusão, não delas. Tua exclusão difere de maior a menor, o que define é o grau Quanto de cuidado contínuo, do teu amor seguro, Quanto você se deu? Quanto de pai fiel, íntimo, real porto seguro afetivo tua criança pode ter? Um mundo inteiro, Ao longo de muitas gerações, É criado assim Sem teu cheiro, sem teu afeto, sem tua dedicação Sem tua presença cotidiana, cuidado Quem perde são todos Incluindo vós Homens do mundo cuidado.”

1 visualização